terça-feira, 11 de janeiro de 2011

História do Bolo-rei

O Bolo-rei está repleto de simbologia. Não é por acaso que tem forma de coroa e brilho nas suas frutas cristalizadas. Reza a lenda que este doce representa os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus aquando do seu nascimento.

A côdea simbolizava o ouro, as frutas secas e cristalizadas representavam a mirra e o aroma do bolo assinalava o incenso.

Ainda na base do imaginário, a existência duma fava também tem a sua explicação: quando os Reis Magos viram a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Cristo, disputaram entre si qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar ao menino os presentes que levavam. Como não conseguiram chegar a um acordo e com vista a acabar com a discussão, um padeiro confeccionou um bolo escondendo no interior da massa uma fava. De seguida, cada um dos três Magos do Oriente pegaria numa fatia. O Rei Mago que tivesse a sorte de retirar a fatia contendo a fava seria o que ganharia o direito de entregar em primeiro lugar os presentes a Jesus.

O dilema ficou solucionado, embora não se saiba se foi Gaspar, Baltazar ou Belchior o feliz contemplado. É claro que isto é só uma lenda, historicamente falando, a versão é bem diferente.

Aproveitando um inocente jogo de crianças, os Romanos inseriram a sua prática nos banquetes durante os quais se procedia à eleição do rei da festa, que consistia em escolher entre si um rei tirando-o à sorte com favas, por isso designado por vezes também rei da fava.

A Igreja Católica aproveitou o facto de aquele jogo ser característica do mês de Dezembro e decidiu relacioná-lo com a Natividade e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro.

A influência da Igreja na Idade Média determinou que esta última data fosse designada por Dia de Reis e simbolizada por uma fava introduzida num bolo, cuja receita se desconhece.

Havia ainda a tradição de que os cristãos deveriam comer 12 Bolos-reis, entre o Natal e o Dia de Reis, festa que muito cedo começou a ser celebrada na corte dos reis de França. O Bolo-rei terá, aliás, surgido neste país no tempo de Luís XIV para as festas do Ano Novo e Dia de Reis. Vários escritores da época escreveram sobre esta iguaria, até mesmo Greuze celebrou-o num famoso quadro, com o nome de Gâteau dês Róis.


Com a Revolução Francesa, em 1789, este bolo foi proibido, “como mais tarde iria acontecer em Portugal”, só que os pasteleiros que tinham um excelente negócio em mãos em vez de o eliminarem decidiram continuar a confeccioná-lo chamando-lhe Gâteau dês Sans-cullotes.

Com isto, parece não haver dúvidas que o Bolo Rei tem verdadeiras origens francesas, apesar do Bolo Rei popularizado em Portugal no século passado não ter a ver com o bolo simbólico da festa dos reis existente na maior parte das províncias francesas a norte do rio Loire, na região de Paris, onde o bolo é uma rodela de massa folhada recheada de creme.

O nosso Bolo-rei segue a receita a sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa lêveda. Acrescenta-se que ambos os bolos continham uma fava simbólica, podendo ser um objecto de porcelana. Tanto quanto se sabe, a primeira casa onde se vendeu Bolo-rei em Portugal foi em Lisboa na Confeitaria Nacional, por volta do ano de 1870, bolo esse feito pelo afamado confeiteiro Gregório através duma receita que Baltazar Castanheiro Júnior trouxera de Paris.

Durante a Quadra Natalícia a Confeitaria Nacional oferecia aos lisboetas uma exposição de tudo quanto de mais delicado e original a arte dos doces podia então produzir. A pouco e pouco, outras confeitarias também passaram a fabricá-lo o que deu origem a várias versões.

No Porto foi posto à venda pela primeira vez em 1890, por iniciativa da Confeitaria Cascais, feito segundo receita que o proprietário Francisco Júlio Cascais trouxera de Paris.

Assim o Bolo-rei atravessou com êxito os reinados da rainha D. Maria II e dos reis D. Pedro, D. Luís, D. Carlos e D. Manuel II. Vieram depois o Estado Novo de Salazar e Marcelo Caetano e a Revolução de 25 de Abril de 1974. Mas foi com a proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 que vieram os piores tempos para o Bolo Rei, ficando em risco a sua existência, tudo por causa da palavra “rei”, símbolo do poder supremo que numa lógica de hoje nos faz rir. Ora morto este símbolo, o bolo tinha que desaparecer ou mascarar-se para evitar a guerra que lhe podia ser feita. Os confeiteiros partiram do princípio de que negócio é negócio e política é política e continuaram a fabricar o bolo sob outra designação.
Os menos imaginativos deram-lhe o nome de “ex-bolo rei’, mas a maioria chamou-lhe bolo de Natal ou bolo de Ano Novo.

A designação de bolo Nacional seria a melhor, uma vez que remetia para a confeitaria que o tinha introduzido em Portugal e também por estar relacionado com o país o que ficava bem em período revolucionário.

Não contentes com nenhuma destas ideias, os republicanos mais radicais chamaram-lhe bolo Presidente e até houve quem lhe chamasse bolo Arriaga. Não se sabe como reagiu o Presidente da República, mas convenhamos que a homenagem não tivesse sido a melhor.

Passado esse período negro, a história deste bolo tem sido um sucesso.

A receita do Bolo-rei correu mundo, muito contribui para isso a fama que o bolo ganhou por proporcionar expectativa a quem comesse a fatia que continha a fava ou o brinde. A fava amaldiçoada pelos sacerdotes Egípcios que a viam como alojamento para os espíritos é considerado o elemento negativo, representando uma espécie de azar, tendo quem a encontra duas opções: assumir o pagamento do próximo bolo ou correr perigo de engoli-la.

Por sua vez, o brinde era colocado no bolo com o objectivo de presentear os convidados com quem se partilhava o bolo. Havia quem colocasse nos bolos pequenas adivinhas complicadas por sinal, mas cuja recompensa seria meia libra de ouro.

Porém outros incluíam propositadamente as moedas de ouro na massa, por uma forma requintada de agradecimento, como se o próprio bolo não chegasse. Infelizmente, com o passar do tempo, o brinde passou a ser um pequeno objecto metálico sem outro valor que não o do símbolo e pouco evidente para a maioria das pessoas. Como não bastasse, as leis comunitárias ditaram o fim da tradição, proibindo que no interior do bolo se encontre uma fava ou um brinde.

Mesmo assim, o Bolo-rei continua a ser um símbolo da época Natalícia e hoje os confeiteiros e pasteleiros não se poupam a esforços na sua promoção, por isso se enchem de clientes para adquirir o rei das iguarias nesta quadra festiva.

O Bolo-rei não se limita a ser um bolo com gosto agradável, ele é na verdade um verdadeiro símbolo desta época!

Teresa HenriquesCake & Chocolate Designer nas Caldas da Rainha
in Jornal das Caldas online

AS JANEIRAS DA MINHA INFÂNCIA

Lembro perfeitamente, os tempos em que eu, o meu irmão, vizinhos e amigos, cantávamos as janeiras de porta em porta.
Tradições que se vão perdendo através dos tempos. Fica somente a saudade desses tempos, com noites frias, geladas... Mas um coração quente de meninos/crianças, de alegrias e risos, de cantigas em vozes pouco afinadas, mas que se divertiam...

Aqui ficam alguns exemplos dessas quadras cantadas ao luar, num tremo-lo ranger de dentes do frio da noite em terras da "Beira Serra":


Boas noites, meus senhores,
Boas noites vimos dar,
Vimos pedir as Janeiras,
Se no-las quiserem dar.

Ano Novo, Ano Novo
Ano Novo, melhor ano,
Vimos cantar as Janeiras,
Como é de lei cada ano.

Vinde-nos dar as Janeiras,
Se no-las houverdes de dar,
Somos romeiros de longe,
Não podemos cá voltar.

Aqui vimos, aqui vimos
Aqui vimos bem sabeis
Vimos dar as boas festas
E também cantar os Reis.

Nós somos as criancinhas
Que pedimos a cantar
Pedimos as Janeirinhas
E bênção p'ra este lar.

Levante-se daí senhora
Desse banco de cortiça
Venha nos dar as Janeiras
Uma morcela ou chouriça.

Levante-se daí senhora
Desse banquinho de prata
Venha nos dar as Janeiras
Que está um frio que mata.

Quem diremos nós que viva
Na folhinha da giesta
Já lhe cantámos as Janeiras
Acabou a nossa festa.

domingo, 9 de janeiro de 2011

OS TRÊS REIS MAGOS


Num país distante viviam três homens que estudavam as estrelas e o céu. Um dia viram uma nova estrela muito mais brilhante que as restantes e souberam que algo especial tinha acontecido. Que nascera um novo rei e foram até ele.
Os três Reis Magos: Gaspar, Melchior e Baltazar, levavam presentes e seguiam a estrela que os guiava até chegarem à cidade de Jerusalém.  Aí perguntaram pelo Rei dos Judeus, pois tinham visto a estrela no céu.

Quando o rei Herodes soube que estrangeiros procuravam uma criança, a quem chamavam de rei, ficou zangado e com medo. Os romanos tinham-no feito rei a ele, e agora diziam-lhe que outro rei, mais poderoso, tinha nascido!
Então, Herodes reuniu-se com os três Reis Magos e pediu-lhes para o informarem, quando encontrassem essa criança, para ele também a ir adorar.

Os Reis Magos concordaram e partiram, seguindo de novo a estrela, até que ela parou. Então, eles souberam que Jesus o Messias, estava ali.
Ao verem Jesus, ajoelharam-se e ofereceram-lhe o que tinham trazido: ouro, incenso e mirra. De seguida partiram.

Mas à noite, quando pararam para dormir, os três reis magos tiveram um sonho, onde lhes apareceu um anjo, a avisar que o Rei Herodes planeava matar Jesus. 
De manhã, carregaram os camelos e já não foram até Jerusalém. Então regressaram à sua terra por outro caminho.

José também teve um sonho. Um anjo disse-lhe que Jesus corria perigo e que ele devia levar Maria e o Menino para o Egipto, onde estariam em segurança. José acordou Maria, prepararam tudo e partiram ainda nessa noite.

Quando Herodes soube que fora enganado pelos reis magos, ficou furioso. Tinha medo que este novo rei lhe tomasse o trono. Então, ordenou aos soldados para irem a Belém e matarem todos os meninos com menos de dois anos. E eles assim fizeram.Maria e José chegaram bem ao Egipto, onde passaram a viver sem problemas. 

Mais tarde e passado muito tempo depois, José teve outro sonho. 
Neste sonho um anjo disse-lhe que Herodes morrera e que agora era altura de regressar com a família a Nazaré onde era a sua terra, onde deviam construir o seu novo lar e onde Jesus devia crescer.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A história do peru na ceia de Natal

A história do peru na ceia de Natal


Entre os astecas, a prática do canibalismo era habitual. O Estado asteca fazia a guerra para se alimentar dos prisioneiros, num ritual prévio onde ao Deus Sol eram oferecidos sacrifícios humanos. Mas a dieta não ficava exclusiva à carne humana. Eles também se alimentavam de animais possíveis de serem encontrados nos seus domínios: os cães e os perus. Os perus eram criados pelos índios, atividade bastante antiga, com clima propício para a prosperidade desta criação. Geralmente os astecas cozinhavam o peru acompanhado de cebola, alho-poró e molho à base de pimenta vermelha.
Em 1518, quando do início do contato entre os índios e espanhóis no processo colonizador do México, F. Cortez tomou conhecimento do peru como ave para alimentação exposta no mercado de Tenochtitlán, capital asteca, trazendo, após, alguns exemplares para a Europa. O peru também vivia em estado selvagem nos bosques do Canadá. Foi ao longo do século XVI que a Europa descobriu essa ave, um pouco estranha, que foi chamada de "galinha da Índia", pois muita gente ainda confundia a América com as Índias Ocidentais. Os jesuítas a introduziram como prato em seus colégios religiosos. A Inglaterra tomou conhecimento da ave em 1525, sendo que rapidamente constituiu-se no prato principal da ceia de natal entre alguns países europeus, e somente após na América do Norte. Para Brillat Savarin, o peru foi um dos mais belos presentes que o Novo Mundo ofereceu ao velho Continente. Em meados do século XIX o peru, praticamente, substituiu o cisne como ave de natal na Inglaterra, popularizando-se definitivamente.
A introdução e fixação do peru como prato principal na Europa e nas Américas, incluindo o Brasil, na comemoração do nascimento de Cristo, transformou o ritual do jantar de Natal em ceia. A abundância, e mesmo a extravagância, caracterizam a essência do momento da ceia de Natal, pois este ritual passou a ser entendido como expressão simbólica do sucesso frente aos ditames da vida cotidiana ao longo do ano. No Brasil, dependendo das disposições financeiras das famílias esta ceia, além do peru assado, pode comportar diversos outros pratos como salpicão, outras saladas, ostras, arroz à grega, pernil de porco, frutas, panetone, castanhas, nozes, bolos.

No sentido da ceia como festa, o prato principal deve ser o assado pois, segundo Levi-Strauss, de acordo com as nossas convenções sempre que o menu inclui um prato de carne assada ser-lhe-á conferido um lugar de honra no centro da refeição. Portanto, num momento de demonstração de abundância, e mesmo de desperdício, o assado recebe um status superior em relação ao cozido. Na obra "O Triangulo Culinário", Strauss revela que do contraste entre os estados assado e cozido emergem características universais: no cozimento se conserva a carne e seus sucos, ao passo que o assado constitui um processo de destruição e perda. Assim um denota economia; o outro prodigalidade; o assado é aristocrático, o cozido é plebeu! Desta forma, os estados dos alimentos são apropriados para usos e abusos como símbolo de diferenciação social.
Em alguns lares, o chefe da família é convocado para trinchar o peru assado e dividi-lo entre os presentes. E neste ritual prevalece a hierarquia entre os convidados bem como as deferências, pois as ofertas das partes do peru, e mesmo de outros assados, eram graduadas segundo a posição social dos convidados:

1. Ao convidado mais ilustre, o dono da casa dizia: "Caro Sr. ...poderia eu ter a ousadia de lhe oferecer uma parte do perú?";
2. Ao segundo convidado em dignidade, dizia "O Sr. teria a gentileza de aceitar um pedaço de peru?";
3. Ao terceiro convidado na hierarquia à mesa, o dono da casa perguntava: "O Sr. quer peru?";
4. Ao quarto na hierarquia oferecia:"um pouco de peru?";
5. enfim ao quinto perguntava, com um pequeno aceno com a faca, "peru?".

Ainda no final do século XIX este ritual incluía a arte de amolar a faca; o trinchamento competente da ave pelo chefe de família, sentado ou levantado; as perguntas usuais sobre as partes que se deseja saborear e a oferta do molho. Esta cerimônia de trinchar a carne do peru é cada vez menos usual, mas ainda se mantém na Inglaterra. 

No Brasil, além do prato, o peru tornou-se bastante popular como o número 20 no jogo do bicho, e como tema de música de carnaval. Como comida, principalmente na área rural que é o prodígio da memória gustativa, é considerado rei das festas, de acordo com Rachel de Queiroz, recebendo, antes do abate, um tratamento previamente estabelecido: uma ave nova, no seu tamanho máximo de crescimento, papo amplo, coxa grossa, muita carne de peito e em quantidade suficiente para o número de convivas. Após colocado no quintal era-lhe preparado o porre de véspera da ceia de natal. O seu bico era aberto e despejado dois tragos de pinga goela baixo. Estas medidas eram suficientes para amolecer a carne, largar os músculos e desabar no chão. Um outro método era abrir a goela do peru e enfiar forçosamente punhados e punhados de milho, no sentido de inchar a ave para ser mais facilmente digerida. Daí diretamente para o forno, cujo assado torna-se o prato principal da ceia de Natal bem brasileira. Segundo Nina Horta, em meados dos anos 50, a tradição de comidas bem brasileiras foi rompida. Influenciada pela cozinha americana, a nossa ceia de Natal começou a desprezar a farofa, sendo que o peru e o pernil aparecem guarnecidos com frutas frescas, compotas, doces de figos, pêssegos e abacaxis. 

As histórias da comida revelam os tempos da memória gustativa, onde a gastronomia deixa a cozinha e invade a academia, com dissertações de mestrado e teses de doutorado abordando cada vez mais o tema. Falar de comida deixou de ser um apanágio exclusivo das donas de casa ou de chefs de restaurantes. As receitas culinárias, os livros de receitas e os relatos empíricos constituem importantes fontes históricas, em projetos de pesquisa multi e interdisciplinares. 


Autor: *¹ Prof. Carlos Roberto Antunes dos Santos – UFPRPublicado em: Gazeta do Povo, 24 de dezembro de 2004 

*¹ Carlos Roberto Antunes dos Santos é professor Titular de História do Brasil na UFPR, área de História da Alimentação.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UM PRESÉPIO

Um presépio feito de vasos de barro simples e bolas de madeira.





Primeiro pintamos as cabeças e os vasos;



Depois pintados nas faces e colado a cabeça sobre os corpos de Maria e José; 



Também são colados pedaços de estopa para suas cabeças;








O Menino Jesus é colocada a sua bola (cabeça) em cima de alguns pedaços de papel amarrotado;


Tão barato e fácil!








terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Poemas Portugueses

Poemas Portugueses 
Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI



UM CASAQUINHO PRETO
Como podia saber que vivia 
num lugar tão distante 
e numa casa tão grande?
Que a mãe me falava 
de debaixo da terra,
e que o seu rosto era
uma sombra passada 
sobre mim debruçada? 
Que o seu nome me chamava
e eu já lá não estava, 
porque tinha crescido 
e porque tudo crescera comigo:
a casa, o quarto, os livros, 
até o céu crescera 
e se afastava;
e que eu próprio era 
uma recordação 
de que já mal me lembrava?
Manuel António Pina
DE CONSOADA
Que vos hei-de mandar de Caparica 
De que vós, Prima, não façais esgares? 
Porque de graças e benções aos pares, 
Disso, graças a Deus, sois vós bem rica.
Mel e açúcar? São cousas de botica. 
Coscorões? São piores que folares. 
Perus? Não, que são pássaros vulgares. 
Porcos? Só de o dizer nojo me fica.
Mandara-vos o sol, se desta cova 
Mo deixaram tomar; mas é fechada, 
E inda o é mais para mi a rua nova.
Pois, se há-de ser de nada a consoada, 
Mandar-vos-ei, sequer, Prima, esta trova, 
Que o mesmo vem a ser que não ser nada
D. Francisco Manuel de Melo
LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS
Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que terei de novo o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro 
em que o Nada retome a cor do Infinito
David Mourão-Ferreira

Comentários

Cara colega,
 
só hoje consegui dizer-lhe que o seu bloog está espectacular...
 
acho que deves continuar a dar-nos boas ideias e sugestões...
 
adorei as imagens de neve da sua terra!!!
 
quem medera termos aqui imagens daquelas...
 
Aproveito para te desejar um Santo e Feliz Natal para ti e toda a tua família, com muita saúde, paz, amor e alguns doces...
 
beijinhos
 
Maria de Aires

Mensagens de Parabéns

Feliz aniversário e muitos parabéns! Cara Professora Maria Fernanda Costa Caio C.Silva, Hoje, dia 19 de Dezembro, a galáxia inteira está em festa. Celebra-se o nascimento de um importante membro do Programa Espacial Alfa e, por se tratar de um dia tão especial para si, não olhei a distâncias para poder celebrar esta data consigo. Por isso, em meu nome e em nome do Programa Espacial Alfa, deixo-lhe os votos de um excelente dia e os nossos mais sinceros parabéns. O seu co-piloto do Programa Espacial: Alfa
Por Anónimo em GRINALDAS/COROAS DE NATAL às 15:48
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